E agora?

Te quero

Faz muito tempo

Te quero

Por completo

Uma vez já disseste adeus

E agora?

Te quero

Faz muito gosto

Te quero

Por verdade

Uma vez foi o primeiro

E agora?

A porta esteve aberta

A boca entregue

A alma é sua

E agora?

Um amor não é o verão

Um amor é decisão

E agora?

Vamos voar juntos

Vamos beijar juntos

Vamos sorrir juntos

Vamos viver juntos

Vamos chorar juntos

E agora?

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(117) Rua do ouvidor

Entretanto, um pouco

quando te vejo por aí

a desfilar lindos sorrisos

ouço também tua voz

mesmo sem nunca ter te ouvido

na rua do ouvidor

você está sempre presente

essa voz que clama um amor

sem estar pedindo nada

diz baixinho que quer carinho

fala palavras certas e seguras

impressionante como se manifesta

sempre concisa, consciente

parece que viveu a vida

não se fez despercebida

uma voz de perdão

de reconhecimento e paixão

na rua do ouvidor

te admiro calado

transparente

não me enxerga

mas assim tem de ser

tua beleza é a luz

que ilumina essa rua

e nua é minha platônica

paixão

fala mais, conta tua história

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(116) Mal me quer, bem me quer?

Entretanto, um pouco

Se ela não te quer

poupe as margaridas

de nada vale despetalar um jardim

em busca do que já tem fim

se ela não te quer

poupe teu coração

de nada valem lágrimas inundando a cidade

onde não há razão, nem reciprocidade

se ela não te quer

poupe teu tempo

de nada vale desespero e implorar

por um amor que não vai realizar

se ela não te quer

só não poupe a poesia

a poesia tem sempre lugar para certa alegria

se ela não te quer

não poupe os livros, a música e o sono

é contigo que encontrarás companhia

se ela não te quer

não é o fim do  mundo

sem esperar, quem sabe

alguém vai dizer um dia

bem me quer?

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(115) Solstício

Entretanto, um pouco

ele veio e se apresentou

chegou quente fumegante

elegante em sua majestade

teceu honras e brilhou

solstício é tempo de mudanças

reflexão, desafios, coragem

nessa idade, confesso

depois de todas as andanças

terei forças suficientes para parar

é tempo de parar?

talvez sim, começo a acreditar

mudar o jeito de olhar e ver

meu crer

chega de promessas, esperanças

um verão só pra mim

simples assim

não te quero mais

já esperei o suficiente

fui paciente

mas esse ciclo será diferente

criar meu espaço

meus astros e estrelas pessoais

conchas, areia e ondas

viver meu círculo fechado

ser e sentir a vida sem mais

sozinho, quietinho

atrevida decisão de dizer não

não ao que não veio

não ao que dói

não ao silêncio

eu, o mar, o sol e a lua

nua me basta a testa

a fresta em que vejo o horizonte

poente à rede pestanejar

sem mais sonhar…

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(114) Pulsar

Entretanto, um pouco

Pulsa, ainda pulsa, ainda pulsa

nada importa, não há razão

bate-estaca, bate forte impulsão

pulsa, pulsa, pulsa

purga nas veias

inteiras, sem meias

palavras

palavras

a dor da extorsão

da corrupção

da traição

do purpúreo coração

sente a carne, o cerne

a mente que não discerne

o real da paixão

pulsar emoção

provocação

tentação

segue desguiado

sem vista, sem mar

segue iluminado

pela ilusão a lhe enganar

ela é rocha, seca, dura, eterna

ele é abrigo, castigo, caverna

pulsam as ondas e marés

nada mais é o que é

só a maresia, o enjoar

a náusea e o navegar

todas as cores

dos amores

que ela fez por estar

que ele sentiu desperdiçar

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(112) Morfeu

Entretanto, um pouco

Este poema escrevi enquanto dormia

ele fala de sonhos que tive acordado

das mortes que vivi

das vidas que morri

enquanto de ti, estava enamorado

enquanto senti o que você não sentia

contradições, paixões, vilões

somos muitos, são muitos

perdições sem explicações

somos muitos, são muitos

os motivos e os emotivos

que na calada da noite escura

se perdem em sua procura

vem calado Morfeu

e adormece esse amor meu

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(111) Estrada

Entretanto, um pouco

uma longa estrada
reta, estreita
traça o destino
de quem a percorre

desde esta alvorada
pássaro azul espreita
o mundo repentino
que agora corre

lá fora em terra nova
segue sem rumo a vida
aqui dentro som quieto
do peito que se acalanta

a lua cheia aprova
essa união dividida
distância que de perto
nem parece tanta

os grãos vão caindo
na ampulheta dourada
sonhos de saudade
esperança reanimada

o tempo se indo
mas enfim a revoada
é sim pura verdade
ela voltou, a amada

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