(115) Solstício

ele veio e se apresentou

chegou quente fumegante

elegante em sua majestade

teceu honras e brilhou

solstício é tempo de mudanças

reflexão, desafios, coragem

nessa idade, confesso

depois de todas as andanças

terei forças suficientes para parar

é tempo de parar?

talvez sim, começo a acreditar

mudar o jeito de olhar e ver

meu crer

chega de promessas, esperanças

um verão só pra mim

simples assim

não te quero mais

já esperei o suficiente

fui paciente

mas esse ciclo será diferente

criar meu espaço

meus astros e estrelas pessoais

conchas, areia e ondas

viver meu círculo fechado

ser e sentir a vida sem mais

sozinho, quietinho

atrevida decisão de dizer não

não ao que não veio

não ao que dói

não ao silêncio

eu, o mar, o sol e a lua

nua me basta a testa

a fresta em que vejo o horizonte

poente à rede pestanejar

sem mais sonhar com o amor

esse mistério ingrato

entre o solstício da vida

e o equinócio da morte

a má sorte

nas frutas, cevadas

saborear o início do fim

o fim que me resta

a testa nua

sem a presença sua

que afinal não quis

surgir

 

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