(115) Solstício

ele veio e se apresentou

chegou quente fumegante

elegante em sua majestade

teceu honras e brilhou

solstício é tempo de mudanças

reflexão, desafios, coragem

nessa idade, confesso

depois de todas as andanças

terei forças suficientes para parar

é tempo de parar?

talvez sim, começo a acreditar

mudar o jeito de olhar e ver

meu crer

chega de promessas, esperanças

um verão só pra mim

simples assim

não te quero mais

já esperei o suficiente

fui paciente

mas esse ciclo será diferente

criar meu espaço

meus astros e estrelas pessoais

conchas, areia e ondas

viver meu círculo fechado

ser e sentir a vida sem mais

sozinho, quietinho

atrevida decisão de dizer não

não ao que não veio

não ao que dói

não ao silêncio

eu, o mar, o sol e a lua

nua me basta a testa

a fresta em que vejo o horizonte

poente à rede pestanejar

sem mais sonhar com o amor

esse mistério ingrato

entre o solstício da vida

e o equinócio da morte

a má sorte

nas frutas, cevadas

saborear o início do fim

o fim que me resta

a testa nua

sem a presença sua

que afinal não quis

surgir

 

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(68) Chegou a hora

Entretanto, um pouco

O tempo passa intrépido

vaga pelas dunas e com o vento

alcança alturas

e em revoada

ultrapassa fronteiras

não cessa nunca sua viagem

pelas dimensões conhecidas

e pelas que nunca testemunhamos

só peço que ele me entenda

chegou a hora

chegou

agora

sou eu, o tempo e você

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(67) Silêncio

Entretanto, um pouco

Em silêncio

escrevo estas poucas linhas

sem querer dizer nada

um poema talvez

Calado

deito meus dedos sobre o teclado

repensando quieto

meus sentimentos além

Calmamente

componho estes versos

curtos, íntegros

vazios de tão completos

Em silêncio

relembro parábolas

hipérboles e metáforas

ocultas revelações

Perdão caro leitor

pelo egoísmo ao deixá-lo

sem explicações ou conteúdo

só o silêncio

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(66) O medo

Entretanto, um pouco

o medo abala

o medo abusa

o medo te usa

com medo não fala

se esconde durante o dia

não quer passar mais apuro

a noite vive no quarto escuro

sob as cobertas da covardia

sem forças para reagir

a vida se esvai vazia

no estômago azia

não consegue fugir

pobre vítima inocente

se sente horrível culpada

devidamente julgada

não se vê mais contente

hipócritas morais

julgamento sem defesa

batem na mesa

com seus gritos irracionais

impõem o medo com o dedo em riste

dominam sua presa

com uma única certeza

a impunidade existe

triste mundo esse aqui

em que um ser

acredita que pode ter

o outro para si

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(65) Noites em claro

Entretanto, um pouco

são nestas noites em claro
que a pena mais se consome
é um ímpeto insano e tosco
pensamentos impuros e ocos
palavras, vômitos, soluços
energia insólita mas vital
despejo no papel verdades
e mentiras, fantasias nuas
sonhos antigos, rimas cruéis
são nestas noites em claro
que o improvável se forma

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