(55) Prelúdio

enquanto aguardo

sinto a carne que se contorce

o âmago que sofre

a bala na agulha

martírio humano

esses malditos ponteiros

lentos, moribundos

o sol que nasce e se põe

o corpo respira

a alma derrama lágrimas

mas não há nada

a se fazer

apenas esperar

prelúdio longo

entre o nada

e o tudo

vácuo silencioso

onde não há escolha

você tem que resistir

se superar

manter a cabeça sobre os ombros

e lentamente caminhar

por entre os muros

e pedras

não há flores no escuro

nem perfumes

só o vazio

que separa

a vida

e a morte

paixão significa

sofrimento

e derramo litros de sangue

corto as veias

arranco os cabelos

soco as paredes

toda uma literatura

de terror

de capa a capa

palavras sombrias

o prelúdio

em que vivem os que amam

até que o céu

se abra

 

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