O pó

Só só só

O pó

Poema do vazio

Rio

Rio de águas

Mágoas

Concretismo

Cinismo

O eu que quero

Espero

O vazio

O fio

Impune

Que nos une

Sim ou não

Morte ou paixão

Só só só

O pó

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Amém

Entre todas as palavras ditas

Malditas

Tão lindas as emoções

As comoções

As poções

Da magia do abraço

Do amasso

Do amor descompromissado

O presente que vence o passado

Amigos

Perigos

Nós e os nós que nos unem

Amém

(41) O graal

Entretanto, um pouco

Nas manhãs frias de junho

desperta do encolhido

veste os chinelos pequenos

toca as paredes frias

rotina, higiene, horário

vestimentas sem cor

caminha na neblina

os olhos pequenos e baixos

evitando poças d’água

o transporte silencioso

monotonia movida a diesel

o rolar dos pneus

algumas raras buzinas

mais uma etapa diária

a profundidade na terra

metálico trem nos trilhos

não há saídas possíveis

olha as notícias mansamente

lamenta as dores nacionais

fones de ouvidos em todos

ninguém lhe ouviria

se falasse o que está sentindo

pula mais uma linha

chega na oficina do dinheiro

mais valia falida e esquecida

a lida dos teclados e recados

mais um café, outro café

mais um café, outro café

toca o sino mudo digital

almoço, ração, vale postal

mais um turno solitário

operário e senhor do número

escreve o quanto custa

o serviço que não lhe serve

rodam engrenagens, contatos

a tarde se foi…

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