Neruda

Ele a viu assim de repente

e foi impacto fulminante

rapto absoluto inconteste

sequestrado refém desarmado

um poema nos olhos de café

uma canção no lábio escarlate

os cachos tal qual estrada de serra

caminho sem volta sem fuga

(Neruda)

“tira-me o pão…

mas não me tires o teu riso”

ela o havia conquistado

sem nem haver tentado

vítima de um sorriso

 

 

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O Farol

Quando finalmente avistei o farol

toda sua imponência e fortaleza

senti um arrepio fundo na espinha

a luz de tez amarela me conduzia

o barulho das ondas nas pedras

tal uma massagem dura, craniana

lavando sentimentos já cimentados

a neblina baixando ao entardecer

cegando visões cicatrizadas pelo tempo

um corpo entregue a vertigem do solo

musgos e areia fria cobrindo as costas nuas

cada minuto longínquo que assim perfilava

a ciranda dos sinais náuticos desfilados

todas as desconstruções enfim aniquilavam

um passado de dores e saudades distantes

eu sabia que havia de te esquecer